Social

Costura e bordado transformam vidas em Uberaba

Instituto e coletivo unem solidariedade, arte, inclusão e valorização da cultura local

Em um espaço onde linhas, tecidos e máquinas de costura se encontram diariamente, nasce uma corrente de solidariedade que ultrapassa fronteiras. Desde 2017, o Instituto Costurando com Amor, em Uberaba, transforma retalhos em esperança por meio de um trabalho voluntário que já beneficiou milhares de crianças e famílias em situação de vulnerabilidade social no Brasil e na África.

Inspirado pela trajetória da americana Lilian Weber, conhecida mundialmente por confeccionar vestidos para crianças africanas até os 100 anos de idade, o projeto surgiu com o propósito de multiplicar gestos de amor através da costura. Sob a coordenação de Cléia Gobbo, a iniciativa cresceu significativamente ao longo dos anos e hoje reúne cerca de 130 voluntárias em Uberaba e mais de 300 costureiras espalhadas por 27 cidades brasileiras.

Ao longo de sua história, o Instituto já produziu e distribuiu mais de 15 mil peças, entre roupas, bonecas, tiaras, acessórios e brinquedos. As doações chegaram a comunidades de diversos bairros de Uberaba e também atravessaram oceanos, alcançando países como Moçambique, Madagascar, Malawi e Senegal.

A atuação da entidade ganhou ainda mais relevância durante a pandemia de Covid-19. Em resposta à emergência sanitária, voluntárias confeccionaram mais de 82 mil máscaras de proteção e participaram da reforma de aproximadamente 2 mil capotes hospitalares utilizados por profissionais da saúde. A ação contou com apoio de instituições como a UPA, o Hospital Escola da UFTM e o Hospital Hélio Angotti.

Além das iniciativas ligadas à saúde, o Instituto também esteve presente em diversas ações humanitárias pelo país. Entre elas, o envio de roupas para vítimas de enchentes e o apoio a imigrantes venezuelanos acolhidos em Roraima.

Um dos diferenciais do Costurando com Amor está na preocupação ambiental. Grande parte da produção é realizada a partir do reaproveitamento de retalhos e sobras de tecidos que seriam descartados pela indústria têxtil. Os materiais ganham nova vida por meio do trabalho artesanal das voluntárias, gerando impacto social e contribuindo para a redução de resíduos.

A sustentabilidade se alia à economia solidária. As atividades são mantidas por meio de doações de materiais, contribuições financeiras, participação em eventos e pela comercialização da boneca símbolo do projeto, chamada “Lilian”, criada em homenagem à inspiração que deu origem ao movimento.

Mais do que produzir peças para doação, o Instituto investe na formação de pessoas. Cursos gratuitos de corte e costura, bordado, tricô, crochê e artesanato são oferecidos à comunidade, promovendo inclusão social, fortalecimento de vínculos e geração de oportunidades para mulheres e famílias.

O trabalho também dialoga com outras iniciativas ligadas à arte têxtil da cidade. Um exemplo é o Coletivo Bordados Poéticos de Uberaba, formado por artistas e artesãs que utilizam o bordado como linguagem artística para valorizar a cultura local. Entre as produções estão obras inspiradas no cerrado brasileiro, no patrimônio cultural da cidade, no Geoparque Uberaba, em Chico Xavier e na Expozebu, demonstrando como os saberes manuais podem se transformar em expressão cultural e identidade coletiva.

Com o crescimento do número de voluntários e da demanda por atendimento, o Instituto enfrenta agora um novo desafio: ampliar sua estrutura física. Atualmente, as atividades acontecem em um imóvel alugado que já não comporta adequadamente o volume de produção e ações desenvolvidas.

Um passo importante para o futuro já foi dado. A Prefeitura de Uberaba destinou um terreno para a construção da sede própria da instituição. O projeto, no entanto, depende da mobilização de parceiros, empresas e apoiadores para sair do papel.

Enquanto trabalha para tornar esse sonho realidade, o Instituto Costurando com Amor segue firme em sua missão de costurar solidariedade, promover dignidade e transformar vidas. Cada peça produzida representa mais do que uma roupa ou um brinquedo: simboliza cuidado, acolhimento e a possibilidade de construir um futuro melhor para quem mais precisa.

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